Disfunção erétil em jovens: causas e tratamentos

A consulta médica deve servir como uma oportunidade para identificar problemas silenciosos e corrigi-los

Será que impotência sexual é doença apenas de homens velhos? Muita gente pensa assim. Conhecendo a mágica que permite a ereção peniana, podemos entender o porquê desta associação muito comum. Por um lado, a idade é sem dúvida um poderoso fator de risco para as disfunções sexuais.

Quanto mais velho, maior é a chance do homem apresentar situações que sabidamente prejudicam a circulação do sangue, como o próprio envelhecimento dos vasos sanguíneos (artérias e veias), além de mais tempo convivendo com diabetes, hipertensão arterial, dislipidemias, obesidade, tabagismo e outras doenças consideradas crônicas.

A minoria (menor parte) dos jovens sofrem com problemas de ereção. Os levantamentos epidemiológicos mostram que a disfunção erétil acomete, com graus variados de severidade, a maioria dos homens com mais de 50 anos de idade. Então diríamos que a impotência é comum nos mais velhos. Todavia essa verdade não deve ser entendida pelos jovens como: eu não preciso me preocupar com isso agora.

Primeiramente, por uma razão mais simples: jovens também podem sofrer com problemas sexuais. Segundo e, em minha opinião, mais importante: o melhor tratamento para a disfunção erétil que acomete o jovem, adulto ou idoso é a prevenção! Ou seja, adotando hábitos de vida e atitudes saudáveis hoje, a chance de sofrer com disfunções sexuais no futuro diminuirá. Terceiro e um alerta: existem muitos jovens que utilizam medicamentos para ereção de forma recreacional, ou seja, se habituam a turbinar as relações com medicamentos. Como será o futuro sexual dessa geração?

Causas da disfunção erétil em jovens
Qualquer homem pode falhar numa relação sexual. Basta que exista ansiedade e insegurança em relação ao desempenho para que a ereção peniana não ocorra de forma plena.

Lembre-se que o pênis fica rígido em resposta à excitação sexual. Vários sistemas precisam funcionar em harmonia para que esta mensagem oriunda do estímulo sexual percorra o caminho entre cérebro e o pênis. Neurônios, nervos, hormônios, vasos sanguíneos, e o próprio tecido erétil do pênis agem em conjunto para o sucesso da ereção. Então, como existe um trabalho de uma equipe ampla, a dificuldade de ereção pode ser resultado de um problema em qualquer membro desse time. Geralmente é exatamente isso que acontece: a disfunção erétil é resultado de vários probleminhas que se somam.

Nos jovens sem comorbidades, o problema geralmente é causado pela “ansiedade de desempenho”. Em termos mais simples: o medo de falhar e decepcionar a parceira é que provoca a falha. Quando as falhas passam a ser frequentes podemos dizer que existe um problema de disfunção erétil psicogênica. Qualquer um pode falhar!

Quando existe ansiedade e medo de falhar ocorre um verdadeiro ciclo vicioso, onde a memória da última relação insatisfatória acompanha o homem na tentativa seguinte. Quando ficamos ansiosos ou com medo liberamos adrenalina na circulação que é conhecido como hormônio da “fuga ou luta”. Adrenalina prepara o homem para fugir de um problema ou lutar com ele. Há um desvio do sangue que vai prioritariamente para o cérebro, o coração e os músculos. Vai pouco sangue para o pênis, e o que faz o pênis ficar ereto é exatamente um vigoroso aumento do fluxo de sangue.

Tratamentos para disfunção erétil em jovens
Independente da idade a abordagem do homem com disfunção erétil deve inicialmente buscar identificar fatores de risco para problemas circulatórios. Repetindo: checar pressão arterial, níveis do açúcar no sangue, alguns hormônios como a testosterona e tireoidianos, colesterol, peso, hábitos nocivos como consumo de drogas ilícitas, álcool e tabaco. Tudo o que não está adequado deve ser considerado no momento de orientar o jovem na adoção de atitudes saudáveis. A ideia é mostrar que ele precisa investir hoje para envelhecer com saúde amanhã.

O segundo passo, fundamental para superar um quadro de impotência de origem psicogênica, é estabelecer um bom relacionamento entre o profissional de saúde e o paciente. A frase: ?isso é só um problema psicológico? quase sempre assusta mais do que acalma os homens. E na prática, nada é muito simples nessas questões envolvendo sexualidade.

Por isso, o ideal é que médico e psicólogo trabalhem em harmonia para ajudar no processo de superação. O paciente precisa ser informado de que tudo nessa área ocorre de forma gradativa e que ele não deve se cobrar soluções imediatas. Isso só gera mais expectativa, aumenta a ansiedade e perpetua o ciclo vicioso.

Ciente da causa psicológica e com o suporte adequado, cada caso precisa ser individualizado para que o tratamento esteja definido. Alguns vão precisar da ajuda temporária de medicamentos, outros não. Cada caso merece uma abordagem e ajustes de acordo com a resposta e evolução.

Consulta médica e recomendações
Nos jovens que não possuem comorbidades, ou seja, que não são diabéticos, hipertensos, obesos, sedentários ou tabagistas a principal causa de disfunção sexual é a “cuca”. Porém, ainda existem alguns casos em que os jovens realmente apresentam casos de doenças.

A regra, portanto, quando atendemos alguém com queixas sexuais, independente da idade, é sempre investigar se tudo está funcionando corretamente nesses diferentes participantes do mecanismo de ereção. Checar os níveis de glicose (açúcar) no sangue, a pressão arterial, hormônios básicos, a relação peso e altura, a qualidade do sono (sim, o sono é importante tanto para a circulação quanto para libido) e como andam a parte psicológica e o relacionamento. A consulta médica deve servir como uma oportunidade para identificar problemas silenciosos e corrigi-los.

Leia também: o que é remédio para ereção

Por isso, a permissão de comprar medicamentos para ereção sem receita médica é uma forma cruel de afastar os homens da medicina preventiva. Muitos se automedicam ou usam remédios para ereção sem necessidade e, com isso, vão protelando as mudanças necessárias para melhorar a saúde e prevenir doenças futuras.

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